Como medir tempo de parada de máquina
Parada é a maior perda de qualquer linha — e a menos medida. Aqui está o método inteiro: o que registrar, como classificar, os dois indicadores que importam e os quatro degraus entre a folha de papel e a leitura automática.

O que registrar em cada parada
Quatro campos. Menos que isso, o dado não serve; mais que isso, o operador não preenche.
Início e fim, com hora
Não a duração estimada depois. A hora do relógio, na hora. Quinze paradas 'de uns dez minutos' viram duas horas e meia que ninguém consegue explicar.
Máquina, turno e operador
Sem isso o dado não cruza com nada. É o que permite descobrir que a quebra é sempre na mesma máquina, ou sempre no mesmo turno.
O motivo, de uma lista fechada
Campo livre vira 'problema' e 'outros'. Uma lista de 10 a 15 motivos padronizados é o que faz o Pareto funcionar depois.
Planejada ou não planejada
Setup, refeição e preventiva são paradas planejadas — saem do tempo disponível. Quebra e falta de material são perdas. Misturar as duas destrói a conta.
Os dois números que saem daí
MTBF = tempo operando ÷ número de falhas
Tempo médio entre falhas. Quanto maior, mais confiável a máquina. Cai quando a manutenção preventiva está atrasada ou a máquina está no limite.
MTTR = tempo total parado por falha ÷ número de falhas
Tempo médio de reparo. Quanto menor, mais rápida a resposta. Sobe quando falta peça no estoque, quando o técnico está longe ou quando ninguém foi avisado a tempo.
Os dois juntos dizem qual é o problema. MTBF baixo pede manutenção preventiva e olhar a causa raiz. MTTR alto pede estoque de peças, alerta imediato e rota de atendimento — e nenhum investimento em máquina nova resolve isso.
Os quatro degraus da medição
Ninguém pula do papel para o sensor. Cada degrau tem um ganho e um limite, e o certo é subir quando o limite do atual começa a custar.
- 01
Papel na máquina
Folha por turno com início, fim e motivo. Custa zero e já muda a conversa. Limite: paradas curtas não entram e alguém precisa digitar depois.
- 02
Planilha
O mesmo registro, digitado. Ganha o Pareto e o histórico. Limite: o dado chega horas depois e depende de disciplina de digitação.
- 03
Apontamento no chão de fábrica
Tablet ou terminal ao lado da máquina; o operador registra na hora, de uma lista fechada. Ganha precisão e tempo real. Limite: microparadas ainda dependem de alguém lembrar.
- 04
Leitura da máquina + motivo do operador
O CLP ou um sensor informa que a máquina parou e por quanto tempo; o operador só classifica. Nenhuma parada escapa, e o alerta dispara enquanto ainda dá para agir.
Os erros que inutilizam o registro
Quase toda fábrica que 'já tentou medir parada e não deu certo' tropeçou em um destes.
- Registrar no fim do turno, de memória — as paradas curtas somem e as longas encolhem.
- Deixar 'outros' na lista de motivos. Em três meses ele é o maior motivo da fábrica e não diz nada.
- Contar setup como quebra, ou quebra como setup. Um pede engenharia de processo, o outro pede manutenção.
- Medir o tempo parado e nunca olhar a frequência. Vinte paradas de 3 minutos custam mais que uma de 1 hora — e têm outra causa.
- Guardar o registro e não fazer o Pareto. Dado que não vira decisão é só burocracia para o operador.
Perguntas frequentes
- O que são MTBF e MTTR?
- MTBF (Mean Time Between Failures) é o tempo médio entre falhas: tempo operando dividido pelo número de falhas. Diz o quão confiável a máquina é. MTTR (Mean Time To Repair) é o tempo médio de reparo: tempo total parado por falha dividido pelo número de falhas. Diz o quão rápido a manutenção responde. Uma máquina pode ter MTBF alto e MTTR péssimo — quebra pouco, mas quando quebra fica um dia parada — e o remédio é completamente diferente do caso contrário.
- Quantos motivos de parada eu devo ter na lista?
- Entre 10 e 15 costuma ser o equilíbrio. Menos que isso, tudo cai em duas ou três categorias genéricas; mais que isso, o operador não acha o certo e escolhe qualquer um. Comece com os motivos que a equipe já cita de cabe ça, rode um mês e ajuste: motivo que nunca é usado sai, e o que aparece em 'outros' com frequência vira item próprio.
- Dá para medir parada sem sensor?
- Dá, e é assim que a maioria começa: uma folha ou uma planilha por máquina, o operador registra início, fim e motivo. O limite desse método são as paradas curtas — de 30 segundos a 2 minutos — que somam muito e ninguém anota. Quando o Pareto manual já não explica a diferença entre o que a máquina deveria produzir e o que produz, é hora de ler o sinal de máquina rodando direto do CLP ou de um sensor.
- O que é o Pareto de paradas?
- É ordenar os motivos do que mais parou para o que menos parou, em tempo acumulado. Em quase toda fábrica, dois ou três motivos respondem por 70% a 80% do tempo parado. O Pareto é o que impede a manutenção de gastar a semana no problema que mais incomoda em vez do que mais custa — e ele só existe se o motivo foi registrado de uma lista fechada.
- Com que frequência olhar os dados de parada?
- O Pareto, semanalmente — é o ritmo em que dá para atacar uma causa e ver o efeito. O registro em si, no momento da parada. E o alerta de máquina parada além do normal, em tempo real: a diferença entre saber às 9h05 e saber no fim do turno é a diferença entre 5 minutos e 3 horas de perda.
- Como a Volvi entra nisso?
- Entregamos o quarto degrau: a máquina informa que parou (pelo CLP ou por sensor), o operador escolhe o motivo numa lista que a própria fábrica define, e o sistema calcula MTBF, MTTR e o Pareto por máquina e por turno — com alerta configurável de parada longa. Já está rodando em planta de trefilação e endireitamento. Se a sua fábrica ainda está no papel, a gente ajuda a desenhar a folha e a lista de motivos primeiro; o sistema vem quando o método já existe.
Quer saber quanto as suas máquinas param, e por quê?
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