O que é o OEE e como se calcula
O OEE mede quanto da capacidade de uma máquina se transformou em peças boas. Três perdas, uma multiplicação e um número que mostra onde o turno está a perder — aqui está a conta, com um exemplo, tal como se faz no chão de fábrica.

A fórmula
OEE significa Overall Equipment Effectiveness, eficácia global do equipamento. É o produto de três fatores, cada um entre 0 e 100%:
OEE = Disponibilidade × Desempenho × Qualidade
Multiplicar, e não somar, é o que dá ao OEE a sua utilidade: uma pequena perda em cada fator torna-se uma grande perda no total, e o número final nunca esconde qual dos três está pior.
As três perdas, uma por fator
Cada fator capta um tipo diferente de perda. Olhar para os três separadamente é o que transforma o OEE de nota em diagnóstico.
Disponibilidade — a máquina estava a trabalhar?
Tempo em funcionamento dividido pelo tempo planeado. Aqui entram todas as paragens não planeadas: avarias, falta de material, falta de operador, setups mais longos do que o previsto.
Desempenho — trabalhou à velocidade certa?
Produção real dividida pela produção que caberia no tempo em funcionamento, à velocidade nominal. Aqui entram a máquina a trabalhar devagar e as microparagens de segundos que ninguém regista.
Qualidade — o que saiu estava bom?
Peças boas divididas pelo total produzido. Aqui entram as peças rejeitadas e o retrabalho — que muitas fábricas contam como produção e depois não percebem o número.
Um exemplo com números
Um turno de 8 horas, com 30 minutos de refeição planeada. A máquina tem um ciclo nominal de 1 peça por minuto.
- Tempo planeado
- 480 − 30 = 450 min
- Paragens não planeadas
- 45 min (avaria 30, falta de material 15)
- Tempo em funcionamento
- 450 − 45 = 405 min
- Disponibilidade
- 405 ÷ 450 = 90%
- Peças produzidas
- 344 (cabiam 405 à velocidade nominal)
- Desempenho
- 344 ÷ 405 = 85%
- Peças boas
- 337 (7 rejeitadas)
- Qualidade
- 337 ÷ 344 = 98%
OEE = 0,90 × 0,85 × 0,98 = 75%
Repare no que o número esconde e o detalhe mostra: a qualidade está ótima, a disponibilidade é razoável e a maior perda está no desempenho — 61 peças que cabiam no tempo e não saíram. Sem sensor, esta perda costuma ser invisível: são microparagens e velocidade reduzida que ninguém regista. É exatamente o caso em que ler o PLC ou o sensor passa a compensar.
Calculadora de OEE
A mesma conta acima, com os seus números. Cinco campos, resultado na hora, e o fator com maior perda em destaque.
OEE do turno
75%
- Disponibilidade
- 90%
- Desempenho
- 85%
- Qualidade
- 98%
- Tempo em funcionamento
- 405 min
- Cabiam à velocidade ideal
- 405
- Peças boas
- 337
A maior perda é o desempenho: a máquina trabalhou, mas devagar ou com microparagens que ninguém anotou. É o caso em que ler o PLC ou o sensor passa a compensar.
Referência de classe mundial: 85%. A média real da indústria fica perto dos 60%, e a primeira medição costuma dar entre 40% e 60%.
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Desenvolvemos sistemas que calculam o OEE por turno e por máquina a partir do registo do operador e, quando faz sentido, da leitura direta do PLC.
Ver o software industrialOs erros que fazem o OEE mentir
Quase todos os OEE que «não batem certo» vêm de um destes cinco. Vale a pena verificar antes de desconfiar da máquina.
- Calcular sobre 24 horas em vez do tempo planeado — o OEE cai a pique e ninguém acredita nele.
- Ignorar microparagens. Dez paragens de 40 segundos por hora somam 11% de disponibilidade que desaparece sem registo.
- Contar o retrabalho como peça boa à primeira e descobrir as rejeições no fecho do mês.
- Medir uma vez por mês, em papel. O número chega quando já não é possível reagir ao turno que o gerou.
- Comparar o OEE de máquinas com tempos de ciclo diferentes sem olhar para as três perdas separadamente.
Perguntas frequentes
- O que é um bom OEE?
- A referência internacional de classe mundial é 85% — o que corresponde a cerca de 90% de disponibilidade, 95% de desempenho e 99% de qualidade. Mas a média real da indústria fica bem abaixo, por volta dos 60%, e uma fábrica que nunca mediu costuma descobrir valores entre 40% e 60%. Isso não é mau: é o ponto de partida. O valor do OEE não está em ser alto, está em mostrar onde está a perda.
- Qual é a diferença entre OEE e TEEP?
- O OEE mede a eficácia dentro do tempo que planeou produzir. O TEEP (Total Effective Equipment Performance) mede em relação ao calendário inteiro — 24 horas, 7 dias. Um OEE de 75% num único turno pode ser um TEEP de 25%. O OEE responde a «estou a usar bem o tempo que planeei?»; o TEEP responde a «quanta capacidade tenho sem uso?».
- Preciso de sensores ou de PLC para medir o OEE?
- Não para começar. É possível calcular com registo manual: hora de início e fim, paragens com motivo, peças produzidas e rejeitadas por turno. O que o sensor ou a leitura do PLC resolvem é a parte que o registo manual não apanha — as microparagens e a velocidade real — e a conta deixa de depender de alguém se lembrar de anotar. O caminho habitual é começar à mão numa máquina, provar que o número serve e automatizar a leitura depois.
- Com que frequência se deve calcular o OEE?
- Por turno, no mínimo — porque é no turno que ainda é possível agir. Um OEE mensal é bom para relatórios e péssimo para a operação: quando o número chega, a causa já passou. Os sistemas de monitorização calculam em tempo real, mas mesmo uma folha preenchida no fim de cada turno já muda a conversa com a equipa.
- O OEE serve para fábricas pequenas?
- Serve — talvez mais do que para as grandes, porque uma máquina sem produzir pesa mais a quem tem três máquinas do que a quem tem trinta. A diferença está na escala da medição: uma máquina, um turno, uma folha. O que não vale a pena é esperar «crescer» para começar a medir; a fábrica que mede é a que cresce.
- Onde entra a Volvi?
- Desenvolvemos sistemas que calculam o OEE por turno e por máquina a partir do registo do operador e, quando faz sentido, da leitura direta do PLC — com motivos de paragem padronizados, alertas e histórico. Metade da nossa equipa passou 25 anos dentro da indústria, por isso a primeira conversa é sobre o seu processo, não sobre software. Se o Excel resolver o seu caso, dizemos-lho.
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