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Guia · Indústria

Como medir paragens de máquina

A paragem é a maior perda de qualquer linha — e a menos medida. Quase nenhuma fábrica sabe dizer quanto tempo, por que motivo e em que turno. Aqui está o método inteiro: o que registar, como classificar, os dois indicadores que importam (MTBF e MTTR) e os quatro degraus entre a folha de papel e a leitura automática do PLC.

Ecrã de máquinas de um sistema de supervisão: cada equipamento com modelo, código, estado da ligação e última produção registada
Registo de máquinas de um sistema de supervisão que entregámos, sem identificação do cliente. Interface em português do Brasil.

O que registar em cada paragem

Quatro campos. Menos do que isto, o dado não serve; mais do que isto, o operador não preenche.

Início e fim, com a hora

Não a duração estimada depois. A hora do relógio, no momento. Quinze paragens «de uns dez minutos» transformam-se em duas horas e meia que ninguém consegue explicar.

Máquina, turno e operador

Sem isto o dado não cruza com nada. É o que permite descobrir que a avaria é sempre na mesma máquina, ou sempre no mesmo turno.

O motivo, de uma lista fechada

Campo livre transforma-se em «problema» e «outros». Uma lista de 10 a 15 motivos padronizados é o que faz o Pareto funcionar depois.

Planeada ou não planeada

Setup, refeição e manutenção preventiva são paragens planeadas — saem do tempo disponível. Avaria e falta de material são perdas. Misturar as duas destrói a conta.

Os dois números que saem daí

MTBF = tempo em funcionamento ÷ número de avarias

Tempo médio entre avarias — a sigla vem do inglês. Quanto maior, mais fiável a máquina. Cai quando a manutenção preventiva está atrasada ou a máquina trabalha no limite.

MTTR = tempo total parado por avaria ÷ número de avarias

Tempo médio de reparação. Quanto menor, mais rápida a resposta. Sobe quando falta a peça em stock, quando o técnico está longe ou quando ninguém foi avisado a tempo.

Os dois juntos dizem qual é o problema. MTBF baixo pede manutenção preventiva e análise da causa raiz. MTTR alto pede stock de peças, alerta imediato e um circuito de resposta definido — e nenhum investimento em máquina nova resolve isso.

Um exemplo com números

Uma máquina, uma semana de cinco turnos de 8 horas, cada um com 30 minutos de refeição planeada. Durante a semana houve 6 avarias, que somaram 3 horas de paragem.

Tempo planeado
5 × (480 − 30) = 2 250 min
Paragens por avaria
6 avarias, 180 min no total
Tempo em funcionamento
2 250 − 180 = 2 070 min
MTBF
2 070 ÷ 6 = 345 min (5 h 45)
MTTR
180 ÷ 6 = 30 min

Disponibilidade = 2 070 ÷ 2 250 = 92%

Um MTTR de 30 minutos parece aceitável até se ler o detalhe: 4 das 6 avarias duraram 10 minutos e as outras 2 duraram 70 — ambas por falta de uma peça que não estava em stock. A média esconde isso; a lista de motivos mostra-o. É por isso que se regista cada paragem, e não só o total do turno.

Os quatro degraus da medição

Ninguém salta do papel para o sensor. Cada degrau tem um ganho e um limite, e o certo é subir quando o limite do atual começa a custar dinheiro.

  1. 01

    Papel junto à máquina

    Folha por turno com início, fim e motivo. Custa zero e já muda a conversa. Limite: as paragens curtas não entram e alguém tem de passar tudo para o computador depois.

  2. 02

    Folha de cálculo

    O mesmo registo, digitado. Ganha o Pareto e o histórico. Limite: o dado chega horas depois e depende da disciplina de quem digita.

  3. 03

    Registo no chão de fábrica

    Tablet ou terminal ao lado da máquina; o operador regista na hora, de uma lista fechada. Ganha precisão e tempo real. Limite: as microparagens continuam a depender de alguém se lembrar.

  4. 04

    Leitura do PLC + motivo do operador

    O PLC ou um sensor informa que a máquina parou e durante quanto tempo; o operador só classifica. Nenhuma paragem escapa, e o alerta dispara enquanto ainda é possível agir.

Os erros que inutilizam o registo

Quase toda a fábrica que «já tentou medir paragens e não resultou» tropeçou num destes.

  • Registar no fim do turno, de memória — as paragens curtas desaparecem e as longas encolhem.
  • Deixar «outros» na lista de motivos. Em três meses é o maior motivo da fábrica e não diz nada.
  • Contar setup como avaria, ou avaria como setup. Um pede engenharia de processo, o outro pede manutenção.
  • Medir o tempo parado e nunca olhar para a frequência. Vinte paragens de 3 minutos custam mais do que uma de 1 hora — e têm outra causa.
  • Guardar o registo e nunca fazer o Pareto. Dado que não se transforma em decisão é só burocracia para o operador.

Perguntas frequentes

O que são o MTBF e o MTTR?
São duas siglas inglesas que toda a manutenção usa. MTBF é o tempo médio entre avarias: tempo em funcionamento dividido pelo número de avarias. Diz quão fiável é a máquina. MTTR é o tempo médio de reparação: tempo total parado por avaria dividido pelo número de avarias. Diz quão depressa a manutenção responde. Uma máquina pode ter MTBF alto e MTTR péssimo — avaria pouco, mas quando avaria fica um dia sem trabalhar — e o remédio é completamente diferente do caso contrário.
Quantos motivos de paragem devo ter na lista?
Entre 10 e 15 costuma ser o equilíbrio. Menos do que isso, tudo cai em duas ou três categorias genéricas; mais do que isso, o operador não encontra o certo e escolhe qualquer um. Comece pelos motivos que a equipa já cita de cor, use durante um mês e ajuste: motivo que nunca é usado sai, e o que aparece com frequência em «outros» passa a ter linha própria.
É possível medir paragens sem sensor?
É, e é assim que a maioria começa: uma folha ou uma folha de cálculo por máquina, e o operador regista início, fim e motivo. O limite deste método são as paragens curtas — de 30 segundos a 2 minutos — que somam muito e ninguém anota. Quando o Pareto manual já não explica a diferença entre o que a máquina devia produzir e o que produz, é altura de ler o sinal de máquina em funcionamento diretamente do PLC ou de um sensor.
O que é o Pareto de paragens?
É ordenar os motivos do que mais parou para o que menos parou, em tempo acumulado. Em quase todas as fábricas, dois ou três motivos respondem por 70% a 80% do tempo parado. O Pareto é o que impede a manutenção de gastar a semana no problema que mais incomoda em vez do que mais custa — e só existe se o motivo foi registado a partir de uma lista fechada.
Com que frequência se deve olhar para os dados de paragem?
O Pareto, semanalmente — é o ritmo a que se consegue atacar uma causa e ver o efeito. O registo em si, no momento da paragem. E o alerta de máquina em paragem além do normal, em tempo real: a diferença entre saber às 9h05 e saber no fim do turno é a diferença entre 5 minutos e 3 horas de perda.
Onde entra a Volvi?
Desenvolvemos o quarto degrau: a máquina informa que parou (pelo PLC ou por sensor), o operador escolhe o motivo numa lista que a própria fábrica define, e o software calcula MTBF, MTTR e o Pareto por máquina e por turno — com alerta configurável de paragem longa. Já está a funcionar numa fábrica de trefilagem e endireitamento. A equipa soma 25 anos de indústria e trabalha remotamente, disponível para fábricas em Portugal. Se a sua fábrica ainda está no papel, ajudamos a desenhar a folha e a lista de motivos primeiro; o software vem quando o método já existe.

Quer saber quanto as suas máquinas param, e porquê?

Diga-nos quantas máquinas são e como a paragem é registada hoje. Respondemos no prazo de um dia útil com um caminho — a começar pela máquina que mais incomoda.

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